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30/07/2009
A história da televisão
A televisão, como muitas das criações humanas nos últimos séculos, foi resultado de trabalho em grupo e da soma de descobertas por vezes erráticas feitas ao longo de décadas. A transmissão de imagens a locais distantes de seu ponto de geração já fascinava os pesquisadores do século 19 tanto quanto o teletransporte mexeu com corações e mentes de físicos do final de 1999. A comparação não é fortuita: apesar de os pesquisadores do século 20 mal terem conseguido teletransportar uma ou outra micropartícula, físicos já admitem que a questão agora é de descobrir um mecanismo quântico para se chegar ao verdadeiro teletransporte de objetos e até pessoas.

Há dois séculos, em meados dos anos 1800, a sensação na comunidade científica era a mesma -- senão maior. Alexander Bain, um destes visionários oitocentistas, conseguiu em 1842 pela primeira vez transmitir uma imagem estática através de impulsos elétricos canalizados em um par de fios. Estava inventado o fac-simile, ou fax, e pavimentado o terreno para uma das mais fascinantes jornadas humanas, capaz de colocar mulheres e homens dos mais diversos pontos do planeta virtualmente face a face.

Para se chegar à Tv tal como a conhecem hoje bilhões de humanos, porém, foi preciso que outras descobertas científicas se acrescentassem ao cadinho. Uma delas, básica, passou desapercebida por mais de meio século. A descoberta do elemento químico selênio aconteceu em 1817. Só em 1873, no entanto, um cientista percebeu uma incrível capacidade do selênio: com ele, percebeu o inglês Willoughby Smith, era possível transformar energia luminosa em impulsos elétricos. É exatamente o que fazem hoje câmeras de vídeo ou máquinas fotográficas digitais.

Brincando de enganar o cérebro

Foi mais um dos passos fundamentais para a invenção dos televisores, mas ainda faltavam muitos. Sete anos mais tarde, outro condimento foi adicionado ao caldeirão fumegante de onde emergiria a Tv. A contribuição chegou pelas mãos de Maurice Le Blanc. Em Paris, ele demonstrou que o cérebro humano podia ser enganado por um mecanismo de repetição. Ou, melhor dizendo, que um humano entenderia como movimento a sucessiva projeção de várias imagens individualmente estáticas. É o mecanismo que ainda hoje funciona no cinema e, claro, nos tubos de raios catódicos dos monitores e de televisores.

A síntese de tantos anos de trabalho, de tantas pessoas, estava próxima. Faltavam apenas três outros ingredientes --todo o restante seria decorrência do que já vinha sendo somado. Um deles surgiu em 1892, através da criação da célula fotoelétrica por Hans Getiel e Julius Elster, e outro em 1906, quando Arbwehnelt e Boris Rosing montaram quase que ao mesmo tempo, mas em países diversos, engenhocas dotadas de espelhos e de um tubo de raios catódicos que podiam desenhar em uma tela. Como porém somar a brincadeira de salão de Maurice Le Blanc à transmissão elétrica de imagens e ao tubo?

O último dos temperos responderia a questão. Paul Nipkow havia inventado um sistema baseado em um disco de ferro dotado de furos em espiral. Ao girar o disco, a imagem de um objeto era quebrada em pequenos pontos --mas, se a velocidade do giro fosse alta o suficiente, a imagem voltaria outra vez à forma original.

E sua amiga sai do cadinho

Pouco depois da primeira guerra mundial, na Inglaterra, uma adaptação do disco de Nipkow foi usada por John Logie Baird para desmembrar uma imagem e em seguida remembrá-la. Em 1924, Baird conseguiu transmitir contornos tremeluzentes de objetos. Um ano mais tarde, foram rostos de pessoas. A televisão saiu do cadinho.

Baird começou a fazer as primeiras transmissões experimentais em 1926, quando assinou um contrato com a BBC. A qualidade da imagem era péssima, com definição de apenas 30 linhas, mas ainda assim um espanto para um sistema de captura de imagens basicamente mecânico. Enquanto isso, nos Estados Unidos, Wladimir Zworykin trabalhava sobre um projeto que, embora indo na mesma direção dos inventos de Baird, acrescentava um dado formidável: a captação das imagens era feita eletronicamente. Chamado de iconoscópio, o invento deste russo naturalizado americano chamou a atenção da RCA, que resolveu patrociná-lo. O iconoscópio é o zigoma do que hoje se conhece como câmera de vídeo: uma válvula a vácuo com uma de suas superfícies polvilhada de células fotoelétricas. Os diferentes níveis de luz refletida pelos objetos sensibilizavam as células, que transformavam estes impulsos em sinais elétricos.

A partir da década de 30 as tecnologias relacionadas à então nascente indústria da Tv não páram de se desenvolver, e em velocidade cada vez maior. Na Europa, Alemanha e França fazem suas primeiras transmissões em 1935, com diferença de poucos meses entre elas.

As transmissões eletrônicas de imagens ganham a realeza em 37, quando a coroação de Jorge 6, na Inglaterra, são transmitidas pela BBC para um espantoso público de 50 mil pessoas. A qualidade das imagens já é bem melhor: nesta altura, os telespectadores podem assistir televisão com resolução superior a 400 linhas.

Anos 50: a Tv chega ao Brasil

A partir da década de 50, o caminho da Tv já não oferece retorno: ela está definitivamente entronizada como grande meio de comunicação de massa.

Foi no primeiro ano desta década que a primeira emissora de Tv comercial surgiu na América Latina. Ela foi montada no Brasil por Assis Chateaubriand, o quase mitológico magnata de imprensa criador dos Diários Associados. Em setembro de 1950, entrou no ar a Tv Tupi de São Paulo. Os poucos telespectadores usavam televisores importados para assistir os programas de auditório, jornais e peças teatrais televisionadas da pioneira Tupi: a primeira fábrica brasileira só começaria a funcionar em 51, sob a marca Invictus.

As transmissões são em preto e branco. As cores só ganhariam espaço, no Brasil, 20 anos mais tarde. Em 72, no auge da ditadura militar brasileira, os então raros televisores em cores no País puderam mostrar entre seus chuviscos os matizes da Festa da Uva de Caxias do Sul (RS). Não por acaso, a data da transmissão foi 31 de março --aniversário oficial do golpe militar.
      
(publicado em Allameda a 30/07/2009)

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