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25/06/2002
Como parar 4 milhões de pessoas com R$ 20 e outros truques
por Mauricio Bonas

Agora todo mundo já sabe que não há sobrevida para a atividade de fornecimento de conteúdos para portais e sites se ela continuar como está. Dizem os gerentes de sites (como diziam seus antecessores de 1998) que não tem sentido disponibilizar noticiários em páginas corporativas porque o e-leitor encontra mais variedade nos portais de conteúdos. Isso só não valeria para conteúdos muito verticais, cada vez mais raros.

É parte da tal concentração da web, tendência verificável desde meados de 2000: menos sites são mais visitados porque o internauta médio prefere ficar onde está. Ao definir um site como página inicial ele acaba permanecendo ali mesmo, principalmente se for um portal. Então, o internauta que entra na web por um dos quatro grandes --UOL, Terra, AOL ou iG-- simplesmente não navega mais. Ele fica.

Somando a dupla de fatores (desinteresse em conteúdos de sites + concentração) à continuação da crise de receitas nas ponto-com, você tem uma desastrosa fórmula que leva ao enxugamento contínuo dos quadros de funcionários conteudísticos. O último grande movimento resultante desta equação, com variações, foi a demissão em massa da turma de conteúdos da Starmedia no Rio de Janeiro, em meados de junho.

Parece sem solução. Mas a fórmula permite alguns ajustes interessantes. É possível, por exemplo, cercar e desmontar a questão do desinteresse do e-leitor. Se ele não lê seu site por falta de novidade em relação aos portais de conteúdos, basta dar a ele a tal novidade. E nem é difícil. Só é caro, se considerados os atuais ridículos padrões de custos impostos pela contenção de despesas dos sites. Pagando R$ 1 mil por mês não dá mesmo. Mas ponha um pouco mais de dinheiro, pare com a política de substituir profissionais por estagiários e opte por editores que prefiram a imaginação à inação e, presto!, muda um bocado.

Taí o título do artigo provando que há alguma chance de se diferenciar do material veiculado pelos portais de conteúdos. É a busca do inusitado, do outro lado da moeda dos noticiários do dia-a-dia. Pressionados pela errônea tese de quanto-mais-melhor, os editores publicam seus conteúdos sem qualquer cuidado. Pode ver: a notícia de um site é igualzinha à do vizinho. Isso porque um faz clipping do outro. Buscar o outro lado da notícia dá trabalho -exige investimentos de tempo, energia e dinheiro. E ainda algum nível de curiosidade.

Quer saber como parar os quatro milhões com meros R$ 20? O assunto foi manchete na última semana de junho mas, em todo o canto, deram um único lado da notícia: greve dos motoristas parou 3,7 milhões de pessoas em São Paulo. Foi assim, sem tirar nem por, que saiu nos sites sem imaginação. Agora, bastava ao editor pensar um pouco, jogar fora o clipping e botar seus repórteres na rua para descobrir que a diferença entre o que queriam pagar os donos de ônibus e o que queriam receber os funcionários não passava de R$ 20. Dá outra dimensão à coisa, não é? A partir disso, um editor esperto tira toda uma linha de investigação inovadora, que foge à pasmaceira das notinhas sem sal em três parágrafos.

Claro que isso não resolve a aparentemente inacabável crise ponto-com. Mas ajuda. Qualquer pessoa medianamente informada já percebeu que não há a Grande Equação Unificadora para solucionar a crise. O que pode existir é uma soma de pequenas mudanças, em todas as áreas das ponto-com, resultando lá na frente em um novo approach para a empresa. Inverter o foco dos conteúdos é uma destas micro-alterações.

Aliás, sabe como mostrar a violência urbana sem falar em ataques terroristas a prédios públicos? É só procurar no mapa onde fica a ex-paradisíaca Indaiatuba. Lá, 120 bicicletas foram furtadas nos últimos dias. Virou crise política, policial, social. Quer saber onde se esconde a decorrência dos juros a 18,5%? Saia pra tomar chope com pesquisadores do Sebrae e pergunte sobre as histórias das microempresas que estão há meses faturando zero ou perto disso. E o investimento de R$ 1 bilhão pra despoluir o rio Tietê -que tal acompanhar um dia na vida dos favelados ribeirinhos?

Sobre o Autor: Mauricio Bonas, jornalista com mais de 15 anos de experiência profissional, trabalhou para veículos como Folha de S Paulo, Som3 e Jornal do Brasil, tendo ainda sido responsável pela assessoria de comunicação de companhias como Acer, Microsoft, Oracle e LG Electronics. Online desde meados dos anos 80, no início dos BBS’s, foi um dos primeiros jornalistas brasileiros a mergulhar na imprensa via internet, em 1996. Atualmente faz parte da equipe de Allameda.
      
(publicado em Allameda a 25/06/2002)

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